Par de Candeeiros Escola Irmãos Stephens

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Descrição

Par de lindos Candeeiros em vidro opalino artesanal, da Fábrica Escola Irmão Stephens, de tom bege alaranjado e verdes nos extremos. Ricamente decorados com pintura a mão de par de pássaros, ramos bagas e frutos. Globo em vidro lapidado a ácido com decoração vegetalista e veados e chaminé. Aplicação em metal a simular os antigos candeeiros a óleo. Não assinados

Dimensões: Alt Total: 51,5 cm x Diâm: 12 (Candeeiro) 15,5cm (globo).

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"Nota"

Fundada em 1748 por John Beare, foi restabelecida com uma nova orientação geográfica, um novo plano arquitectónico e com novas funções, por Guilherme Stephens. Este, há muito estabelecido em Portugal, desenvolvia várias actividades industriais

Em 1769 iniciou-se com o fabrico de vidraça necessária à reconstrução da cidade de Lisboa que fora arrasada pelo terramoto em 1755. Instalou-se nas oficinas deixadas por John Beare e recorreu aos fornos, instrumentos de trabalho e mão de obra pre-existentes. O primeiro catálogo de peças de manufactura de Guilherme Stephens na Marinha Grande baseou-se naquele que fora o último da fábrica fundada por vontade do rei D. João V (Coina).

A fábrica possuia oficinas de apoio: roça, lapidação, gravura (a ácido e a jacto de areia), pantogravura, pintura, escolha, controle de qualidade, carpintaria, olaria, embalagem e expedição.

Ao longo dos decénios, e apesar de ter começado pela vidraça, a produção da Fábrica foi diversificada. Assim, passou também pelo fabrico de garrafaria e todo o tipo de embalagens, produzindo cristal de qualidade superior e vidro vulgar: serviços, cálices, vidros de ofertas e peças de prestigio.

1719 – É fundada a "Real Fábrica de Vidros de Coina", pelo rei D. João V.

1747 – John Beare, administrador da "Real Fábrica de Vidros de Coina", transfere-se para a Marinha Grande levando consigo parte da maquinaria e alguns dos melhores operários da Fábrica. Instalou-se junto ao Pinhal do Rei, no local onde hoje se ergue manufactura de Stephens.

1769 – São acesos os fornos da Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande, restabelecida pelo cidadão britânico Guilherme Stephens. A instalação faz-se após insistências do Primeiro Ministro do rei D. José I, Marquês de Pombal. Contou de inicio com um empréstimo de 32.000$000 reis amortizáveis com cal proveniente do forno que o cidadão britânico possuía em Alcântara e que se destinava à reconstrução de Lisboa. Este empréstimo foi feito pelo prazo de 15 anos. Foi concedido o privilégio entre outros de se poder abastecer livremente de lenha no pinhal de Leiria.

Inicia-se a produção de vidraça.

1770 – Inicio da produção de vidro cristalino.

1772 – Publicação do 1.º catálogo dos Vidros da Real Fábrica da Marinha Grande

1802 – Morre Stephens, sucedendo-lhe seu irmão Diogo na exploração da Fábrica.

1805 – General Junot exige em nome do Imperador Napoleão que todos os bens móveis, jóias e bens de raiz de qualquer espécie pertencentes a cidadãos da Grã-Bretanha e existentes no território nacional, sejam confiscados.

1807 – General Junot exige o pagamento de direitos sobre o vidro fabricado.

1808 – 1811 – Período conturbado na História da Marinha Grande em consequência das invasões francesas.

A fábrica é saqueada e desactivada durante a permanência do General Massena em Portugal.

1826 – João Diogo Stephens morre legando a Fábrica e outros bens à nação portuguesa.

1827 – A Fábrica passa para a posse do Estado, mas o governo não aceita o legado recorrendo às arrematações particulares

1848 – Por solicitação do Duque de Saldanha, Manuel Joaquim Afonso (proprietário de uma fábrica de vidros em Vieira de Leiria) inicia a administração da fábrica, gerência que se prolongará até 1859.

Introduzem-se grandes modernizações, sendo a de maior relevo a que diz respeito à primeira máquina a vapor na oficina de lapidação.

1859 – Por portaria de 4 de Junho é nomeada uma Comissão de Inquérito à fábrica composta por Sebastião Betânio de Almeida, Manuel José Ribeiro e Andrade Corvo. É elaborado um Relatório Oficial que acabará com uma situação de 93 anos de privilégio.

1859 – 1860 – A fábrica permanece encerrada.

1860 – 1862 - Arrendamento feito a Casimiro José de Almeida por um prazo de 10 anos.

1895 – É fundada a "Associação dos Operários Vidreiros da Antiga Fábrica Real de Vidros da Marinha Grande".

1908 – Tomada de posse de nova administração composta por Francisco Xavier Esteves, Júlio da Cruz, Sebastião Aguiar e outros capitalistas. A Identificação da Fábrica é alterada passando a ser "Empresa Exploradora de Fábrica Nacional de Vidros da Marinha Grande".

1909 – Reinicio da produção de cristal e vidraça.

1912 – Introdução de energia eléctrica para iluminação. Reforma total da fábrica em consequência da introdução de tecnologia alemã.

1919 – 1924 – Período de co-gestão da administração da fábrica partilhada entre representantes do Estado, Município e operários vidreiros.

1922 – Decisão de colocar a fábrica à venda que não é efectivada por intervenção do alerta lançado nos meios de comunicação, pelo jornalista Alfredo Gândara.

1928 – Administração directa do Estado.

1938 – 1945 – A fábrica é posta sob tutela do Ministério da Guerra. A decisão fundamentou-se no facto de se utilizar pólvora na fábrica.

1954 – Alteração da denominação para F.E.I.S. – Fábrica Escola Irmãos Stephens), com a finalidade de formação tecnico-profissional dos operários vidreiros e criação de um Museu do Vidro.

Até 1992, era a fábrica de vidro mais antiga que se encontrava em funcionamento em Portugal.