Cristo Crucificado em Madeira
Descrição
Crucifixo em madeira de Pau-Santo torneado na base, com imagem de Cristo Crucificado em Madeira policromada. Cristo falecido, de cabeça tombada para a sua direita, cendal de nó à direita preso por cordel e corpo preso por 3 Cravos. Resplendor e placa em tons dourados em metal sem marcas (dúvida se será prata).
Dimensões Gerais: Alt: 59 cm x Larg: 20 cm - Cristo : Alt: 18,5 cm x Larg: 15 cm
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Nota
“Os Crucificados, Tradição e particularidades” Sereno, dramático lacerado, trágico, lírico. A trajetória da agonia mostra O-vivo, agonizante e morto; neste último caso , é quase regra encontra-lo com a cabeça tombada á direita. Segundo a tradição, a fixação da cruz foi orientada para os 4 pontos cardeais. A face tombada á direita indicava a direcção de Roma, de onde surgiria a sua igreja. O Ângulo de abertura dos braços foi interpretado como mensagem. Abertos na horizontal, simbolizavam a salvação de toda a Cristandade. Nos crucificados onde a abertura é mínima e faz quase um V, de acordo com a doutrina herética jansenista (Cornélio Jansen, 1585-1638), simbolizavam advertência quanto ao reduzido número de predestinados à felicidade eterna. Verificada a falta de fundamento nesta interpretação, tudo leva a crer que as considerações atinentes ao resultado plástico seriam as principais determinantes na angulação dos braços. A Coroa de espinhos integrada na cabeça é conhecida desde o séc. XIII, mas não se torna regra nem mesmo no Séc. XVI, quando é mais frequente . A chaga no peito aberta pelo golpe de lança aparece regularmente à direita. Embora raras, existem figurações com a chaga no lado esquerdo. Segundo a tradição, a veste usada por Jesus na crucificação foi o Subligaculum, espécie de faixa que envolvia os rins e coxa, um tipo de calção de uso quotidiano. Na Alta Idade Média, Jesus foi representado vestindo túnica longa, deixando mãos e pés descobertos. Dentro de pequenas variantes, a veste actual, e que guarda afinidades com o Subligaculum, é reconhecida desde o renascimento. Nada mais é do que uma faixa estreita de pano envolvendo o corpo abaixo da cintura, amarrada à direita. Em casos raros. O laço do acabamento faz-se à esquerda. O número de cravos que O prendiam à cruz foi, entre todas, a questão que mais dúvidas suscitou. Até ao Séc. XIII, foi regular o uso de 4 cravos – um para cada mão e um para cada pé -, separados. A partir de então até ao Séc. XVI, preferiu-se o emprego de 3 cravos, representando-O com os pés sobrepostos. A exegese da crucificação não conclui quanto ao número de cravos e, a partir do Séc. XVI, tournou-se uma questão de opção de representar Jesus preso à cruz com 3 ou 4 cravos. Grupos diferentes posicionam-se: a Itália optou por 3 cravos, a companhia de Jesus Também e fê-los representar no seu brasão: a França e a Espanha, ocasionalmente, retomaram os pés paralelos, mas estas figurações foram menos frequentes. O harmonioso resultado estético na torção do corpo obtida com a sobreposição dos pés torna quase regular esta forma de figuração. E, neste caso, é constante a representação em que o pé direito se encontra sobre o esquerdo, mas há excepções. Há representação de Cristo Expirante, em que está a olhar para cima, a agonia e dor refletem-se na contração do abdómen, na inflexão do eixo do corpo e na face erguida de Cristo, no momento em que, no limite das suas forças como homem, clama por ajuda do pai. Igualmente Cristo pode ser representado Crucificado Morto, de cabeça tombada para baixo e corpo mais caído.“ Texto extraído do Livro/Catálogo “Arte do Marfim” Museu dos Transportes e Comunicações, Porto, 1998, elaborado no Âmbito das Comemorações dos Descobrimentos Portuguese.










